19 de abril de 2016

Germana Tânger: Vidas num vida




























Foi apresentado hoje no Teatro Nacional D. Maria II o livro de memórias de Germana Tânger, Vidas numa vida.  Aos noventa e seis anos, «as memórias surgem espontâneas no arrebatamento e no gosto pela arte de representar e a arte de transmitir a poesia, que é uma das mais exaltantes riquezas da cultura portuguesa a que a Maria Germana Tânger deu expressão» (do prefácio de António Macieira -Coelho).

24 de setembro de 2014

"O silêncio e a névoa aproximam mais as nossas almas"


Arquivo fotográfico CML

















POEMA DA "PENINHA"


Eu amo a névoa.
Eu amo esta estranha linguagem segredada...
Nasceram e desfizeram-se as distâncias...
Perderam-se contornos e arestas...
Transfigurou-se tudo,
Abstractamente...
E a minha alma descansa
Entre uma saudade calma
E um presente feliz...


Lá em baixo há manchas douradas,
Nuvens em fogo,
Ondas em fogo... cintilações... prata derretida...
(É mar ou céu?...)


- Deixa crescer este silêncio...
O silêncio e a névoa aproximam mais as nossas almas...
Deixa-te embalar em sonhos imprecisos...
 
 
                                              Cristovam Pavia
 

30 de agosto de 2014

A gelataria mais ocidental da Europa















Após meio século de funcionamento na Praia das Maçãs, a histórica gelataria Dolomite mudou-se para Almoçageme. É uma baixa de vulto para as Maçãs, mas pelo menos Colares não perde uma referência de grande tradição.

Inebriada de neblina e maresia , a Praia das Maçãs tem, às vezes, estes desmazelos de fidalga perdulária. Claro que como aldeia propriamente dita, como terra saloia, Almoçageme tem muito mais pitoresco do que a Praia das Maçãs, fundada há pouco mais de 120 anos por um padre (Matias del Campo), um pintor (Alfredo Keil) e um taberneiro (Manuel Prego). Mas a praia do eléctrico mantém intocado o seu estatuto de cabeça de cartaz da região de Colares. 

Agora no caminho da Adraga, a senhora Maria Júlia Machado continua a partilhar os saberes e sabores que herdou por via familiar. A sua generosidade vai ao ponto de nos relatar minuciosamente em que banca do mercado adquiriu certo ingrediente ou qual a mercearia local onde se abastece disto e daquilo. Durante o ano, aos domingos, no fim da volta dos tristes, sabe bem passar por lá e trazer para Lisboa uma cuvete dos nossos sabores preferidos. De Verão, é ponto de passagem obrigatória para quem se movimenta no eixo Maçãs-Adraga.



              

29 de junho de 2014

Grande Praia Grande, Miguel Esteves Cardoso













Grande Praia Grande

"Das três praias perto da nossa casa a única que ainda tem areia bastante para se entrar na água sem pisar pedrinhas é a Praia Grande. Este ano a magnífica Praia da Adraga é a mais pedregosa, seguida pela Praia das Maçãs, onde a entrada pica a não ser pela extrema direita.
Anteontem a Maria João e eu tomámos um banho eufórico na Praia Grande: um daqueles banhos oceânicos e pacificadores que só na Praia Grande se podem tomar. Cada primeiro banho do ano é como nascer. Compreende-se, sensual e inteligentemente, a grande ideia atrás - e à frente - do baptismo.
Não sei como há quem se queixe da frieza destas águas. Aqui, nas praias da freguesia de Colares, os forasteiros que cá vêm e se queixam confundem o frio com a frescura.
Aqui a água é fresca: é atlântica. Traz o peso todo do oceano ao qual a história de Portugal não foi avessa. Traz resquícios da origem da nossa espécie. Quando mergulhamos o corpo e a cabeça no oceano da Praia Grande é como se estivéssemos a voltar a casa. A uma casa muito menos distante do que pensamos, à qual pertenceremos eternamente.
Os estabelecimentos da Praia Grande, concessionários ou não, absorveram a grandeza e a natureza daquela paisagem vivida, sabida e emocionantemente imprevisível. Entre-se onde se entrar, para beber um café e uma água, ou almoçar ou jantar, é-se recebido como um velho amigo.
Como um ser humano, numa praia muito mais antiga do que nós mas, magicamente, refeita à nossa medida.
Venham."

Miguel Esteves Cardoso, Público, 28/06/2014

16 de maio de 2014

Painéis de Maria Keill na Praia das Maçãs destruídos









"Alejos forravam as paredes de um depósito de água à entrada para a piscina da Praia das Maçãs."