28 de junho de 2009

DN - "Está tudo por fazer" nas praias do concelho de Sintra.

Artigo publicado no DN dá conta do imbróglio que impede a reabertura da Praia da Aguda e a realização de importantes obras em vários pontos do litoral sintrense.

21 de junho de 2009

Escrito na areia


CAPRICHOS PARA ELA
Canto a cálida calma do teu corpo,
Deitado na praia;
A fina brisa que te ondula a saia,
O sol que queima a tua pele!
Canto o sabor a mel
Dos teus ingénuos beijos de petiza;
O instintivo gesto de compor
A alça da camisa,
E o jogo que é para mim
Adivinhar-lhe a cor.
— Fim.
Carlos Queiroz, Presença, nº. 44.

O nadador olímpico e o amendoim

Em dia de solstício de Verão, uma ida à Praia das Maçãs de outrora — e, de certa maneira, ainda de hoje, mau grado alguma decadência que não deixa de lhe dar um certo charme — pela mão de Lobo Antunes. Escolhi esta crónica porque, de todas as que Lobo Antunes dedicou à Praia das Maçãs, é aquela em que, a meu ver, melhor perpassa certa melancolia delico-doce do Verão que tão bem surpreendemos ao ouvir Ella intrepretar Summertime ou nuns Sinais de Fogo, de Jorge de Sena, entre outros clássicos da estação. Fica só um cheirinho.

O nadador olímpico e o amendoim
«Na minha adolescência, quando passava os Verões na Praia das Maçãs o mundo era presidido por duas figuras tutelares, uma que dominava o dia e outrra que dominava a noite. O dia pertença exclusiva do Nadador Olímpico , a noite o reino do Pianista de Boîte.
O Nadador Olímpico usava um panamá na cabeça, um apito ao pescoço e chinelos de borracha, desses que se enfiam entre o dedo grande e o dedo a seguir ao grande do pé excatamente como as criptomegeras de Olivais Sul, e marchva em torno da piscina a passo de brigadeiro dando ordens de crawl aos afogados. Par além disso tinha óculos espelhados, ombros que principiavam a amolecer numa desistência de plasticina e escrevera um livro, à venda no balneário que alugava calções de banho a imitar pele de tigre , de título definitivo e imponente: Saber Nadar É Tão Importante Como Saber Ler Ou Escrever (...)
Quando o crepúsculo chegava o Nadador Olímpico era substituído pelo Pianista de Boîte que enchia a Concha, um paraíso de sombras e luzes veladas sobre as trevas da piscina, de lamentos de paixão em forma de bolero...»
António Lobo Antunes, Livro de Crónicas.

20 de junho de 2009

As armas de Sintra em 1839

Brasão de Sintra, publicado no número 12 da Illustração Luso-Brazileira, de 23 de Março de 1839.

13 de junho de 2009

A cruz da Tapada do Inhaca


(Foto: sintra, acerca de)
Não resisti a reproduzir aqui esta foto do interessantíssimo blog sintra, acerca de. Trata-se de uma singela cruz existente na Tapada do Inhaca, visível da estrada, ao subir dos Mouros para a Pena, sobre a esquerda. Como tantas outras cruzes da serra, lembra-nos aquele poema que Herculano dedicou, em 1849, a uma cruz mutilada, quando passou uma temporada no convento do Carmo, na Eugaria.
«Amo-te, ó cruz, no vértice, firmada
De esplêndidas igrejas;
Amo-te quando à noite, sobre a campa,
Junto ao cipreste alvejas;
Amo-te sobre o altar,
onde, entre incensos,
As preces te rodeiam;
Amo-te quando em préstito festivo
As multidões te hasteiam;
Amo-te erguida no cruzeiro antigo,
No adro do presbitério,
Ou quando o morto,
impressa no ataúde,
Guias ao cemitério;
Amo-te, ó cruz, até, quando no vale
Negrejas triste e só,
Núncia do crime, a que deveu a terra
Do assassinado o pó:
Porém quando mais te amo,
Ó cruz do meu Senhor,
É, se te encontro à tarde,
Antes de o Sol se pôr,
Na clareira da serra,
Que o arvoredo assombra, à luz que fenece
Se estira a tua sombra,
E o dia últimos raios
Com o luar mistura,
E o seu hino da tarde
O pinheiral murmura. (...)»
Alexandre Herculano, A Cruz Mutilada, 1849.

12 de junho de 2009

Dois postais antigos do Cabo da Roca e três versos de Castilho

(Postais: Leuchttürme Portugals auf historischen Postkarten)
«Cedo veremos verdejando, e rindo
O alto Cabo surgir na extrema ponta
Da Lusitana Terra.»
António Feliciano de Castilho, A Festa de Maio (poemeto), 1822

11 de junho de 2009

O leite inglês já não vem de Sintra, mas ainda temos o Miguel Esteves Cardoso

(Foto: os dias que passam)

Soube-se, há tempos, que o leite Vigor passou a ser produzido algures no norte. O pai de família lisboeta que veraneia na Ericeira perde assim o ensejo de, ao passar por Odrinhas, atirar ao filho o fatal dichote, com aquele ar de mestre-escola a ensinar os afluentes do Douro:
— Aqui é Odrinhas, de onde vem o leite Vigor!
Mais a sério, não sei que bairrismo incontido me faz agora encarar com desconfiança aquelas garrafinhas de vidro imaculadamente brancas, das quais, durante anos, fui ávido consumidor.
Claro que há vinte ou trinta anos que o avanço da construção deve ter determinado que as únicas vaquinhas malhadas de Sintra fossem mesmo as que vinham estampadas na garrafa. Mas era, talvez, uma questão de fé.
Lembro-me de ouvir dizer que o leite Vigor fora criado para imitar o leite inglês, durante a segunda guerra, de forma a poder ser vendido aos muitos compatriotas de Byron que então se instalaram em Portugal — sobretudo no eixo Estoril-Sintra. Terá passado pela cabeça de alguém que por uma espécie de metempsicose do nevoeiro, as vacas de Sintra dariam um leite inglesado? Ou tudo não passará de mais um mito resultante daquela antiga mania de ver ingleses em tudo o que tenha a ver com o Glorious Eden?
Há vinte e três anos, ainda o Miguel Esteves Cardoso dedicava ao leite Vigor, o genuíno, o delicioso texto que aqui fica:
«O nome completo é LEITE ESPECIAL VIGOR PASTEURIZADO. A garrafa, de vidro robusto mas claro, traz ainda a indicação do fabricante (Lacticínios Vigor, Lda.), e um conselho útil que, sem mencionar a palavra frigorífico, convida o consumidor a conservar em ambiente frio, semelhante ao do microclima invernoso de Sintra.
Uma das vantagens de viver na linha de Cascais é poder comprar litros de leite VIGOR com facilidade — daí o aspecto mais saudável e surfista dos habitantes, comparado com as faces macilentas do citadino, para quem a palavra leitaria significa, simplesmente café.(...)
O leite VIGOR vem de Sintra (mais concretamente de uma misteriosa localidade chamada Odrinhas) e cada litro custa aproximadamente 80$00, com depósito
MEC, A Causa das Coisas, 1986.

10 de junho de 2009

Olho para a serra e vejo Pascoaes

(Foto: o convento e a montanha)

Frei João Bernardes

Pela serra de Sintra, onde murmura

A água, sob a verde ramaria,

(Na solidão, ausência da criatura

Mas presença de Deus) ele vivia

E mais uma gazela. Companhia

Amorável e doce! Com ternura,

Compunha versos místicos, e os lia

Às flores, à gazela, à água pura.

E nos olhos da sua companheira,

O Santo via a aurora, a luz primeira

Que o mandava rezar ao Criador.

E nos olhos do Santo, ela avistava

A estrela vespertina que a mandava

À gruta recolher, em paz e amor.

Teixeira de Pascoaes, As Sombras, 1907.

5 de junho de 2009

Unesco diz que Sintra faz má gestão do património cultural (Diário Económico)

Segundo a edição do Diário Económico desta quinta-feira, um relatório do Comité do Património da UNESCO conclui que a Paisagem Cultural de Sintra está em risco... Algo vai mal no reino da Dinamarca.

1 de junho de 2009

Quando o artista se despediu do respeitável público

Camilo partiu há 119 anos... Como é possível que não me esqueça este dia? Hei-de recordar por aqui algumas páginas sintrenses do malquerido Mestre.