19 de agosto de 2009

O último beijo


(Foto: António Passaporte, Arquivo Fotográfico Lisboa)
Agora que Agosto se despede, é tempo de o Beijo da Terra anunciar o seu fim, após alguns meses de discreta e apressada vida. Condenado à nascença a uma existência efémera, como certos amores fortuitos de Verão, pode ser que futuramente reincarne num projecto mais digno, sob outro nome e outras vestes. Até lá, como dizia certo romancista russo cujo nome agora não me recorda, o Beijo vai "andar por aí"... Até sempre!

18 de agosto de 2009

Sintra, mentiras e vídeo







Quem vai ao youtube pesquisar por "Sintra", esbarra sempre com uma versão deste vídeo em primeiro lugar, precedido pela surpreendente sugestão — "Tente também: Teresa Fidalgo". Os cibernautas mais incautos poderão pensar que a dita Teresa é alguma ilustre sintrense. Pelo apelido julgarão, talvez, tratar-se de uma personagem histórica dos tempos da monarquia. Ou então, atendendo à proximidade da ida às urnas, uma candidata autárquica. Nem uma coisa, nem outra, embora a ideia de ir às urnas tenha a ver com esta história, como podem comprovar os largos milhares de pessoas que já esperaram sete minutos pelo final da curta-metragem portuguesa mais vista de sempre, intitulada A Curva, da autoria de David Rebordão. O argumento não tem nada de extraordinário (podem ler esta sinopse em chinês, gentileza de alguém em Hong Kong) e as filmagens não foram feitas propriamente em Sintra, mas na zona dos Fofos de Belas (excelentes quando acabados de sair do forno, consumir só mesmo na leitaria de Belas). O filme não tem nada a ver com o agora tão apregoado romantismo de Sintra, embora, note-se, se baseie num mito urbano local — porque é que agora se diz mito urbano em vez de lenda? As tribos do subúrbio (ou os professores delas...) mal conhecem Garrett, quanto mais Byron... Mas não deixa de ser significativo que uma ínfima e adulterada parte da aura misteriosa de Sintra ainda lhes diga qualquer coisa, mesmo que por esta obscura via. Goste-se ou não, a verdade é que isto não tarda nada é um clássico.
P.S: No youtube, para a mesma pesquisa, em terceiro lugar está um teledisco (videoclip uma ova) de Mónica Sintra. Fiquem descansados que não vou postar.

Paço de Sintra abre à noite a 27 de Agosto

(Fotos: António Passaporte, Arquivo Fotográfico Lisboa)
No âmbito da iniciativa Quintas à Noite no Museu, promovida pelo Instituto dos Museus e da Conservação, o Paço de Sintra estará de portas abertas na noite de 27 do corrente.
Programa aqui.

14 de agosto de 2009

E a Ericeira aqui tão perto

A Ericeira espreitada de Santa Eufémia

Pleno Agosto. Temperatura acima dos 30ºC em Lisboa. Três da tarde. Do muro das ribas mal se vê o areal quarenta metros abaixo. Em frente, ao fundo, assente no nevoeiro, a ponta da grua mais alta do pontão. A sereia da delegação marítima martela-nos intermitentemente os ouvidos. Lembra o que ainda se conta em Sintra sobre a "ronca" do Cabo da Roca, que se ouvia na Vila, do outro lado da serra, por noites de nevoeiro.
Não só pelo clima, Sintra e a Ericeira são terras irmãs, se bem que comparar a Ericeira ao Árctico, como fez Lobo Antunes com a Praia das Maçãs, seria talvez exagerado. A Ericeira dispensa a aspirina e só gasta metade do spray antiferrugem — a bomba da asma dos MG's e Triumphs da Praia das Maçãs.
No Público de quinta-feira, o MEC dizia que a vista do Sky Bar (Tivoli Lisboa) é tão bela que "permite servirem-nos acetona em vez de gin." Na Ericeira não é preciso desconfiar do gin. Cometeram-se erros, é verdade. Mas há o mar visto de cima, o ar iodado, a serra azulada a cortar o horizonte, o cabo a dizer adeus lá ao fundo... E há os jagozes, naturais da Ericeira ou adoptivos, que se desdobram em iniciativas para que a sua terra continue a merecer a preferência de quem a visita.
A Junta de Freguesia mantém um projecto de recolha de óleo alimentar e dinamiza uma rede de restaurantes com um menu de produtos locais — a preços perfeitamente acessíveis. Uma loja aluga segways para andar pela ciclovia e pelas várias artérias pedonais ou com trânsito condicionado. A livraria do Jogo da Bola, sempre aberta, é simultaneamente uma editora que publica títulos de história local. Os quiosques têm sempre jornais estrangeiros para quem não quiser aproveitar a zona wireless do parque de Santa Marta. E ainda agora, numa das muitas feiras de rua, catrapisquei numa banca de alfarrabista um Camilo que me faltava.
Vais perdoar-me, minha querida, minha muito adorada Praia das Maçãs, mas que bom seria se tivesses uma boa livraria (podia ser só no Verão, como o eléctrico) ou ao menos uma taça de morangos saloios para a sobremesa. E a Ericeira aí tão perto.

Eléctrico retoma a circulação até ao final de Setembro

O eléctrico da Praia das Maçãs foi temporariamente reinaugurado, passando a funcionar às sextas, sábados e domingos, mas parece que só até ao final de Setembro. Na página do DN, esta foto absolutamente silly-season da comitiva convidada para a temporário-reinaugural viagem a arredar à unha um veículo estacionado junto à linha. Desta vez, não se tratou de mais uma das distracções que frequentemente obstruem os carris, pois a viagem não terá sido devidamente anunciada. O número sete ostenta agora um amarelo simpático, mas algo carris. Esperemos que a restante frota conserve o vermelho.

10 de agosto de 2009

Colónia de morcegos descoberta em Sintra

O Diário Digital noticia hoje a descoberta de uma nova colónia de morcegos-de-ferradura-mediterrânica numa mina de água da Regaleira. Trata-se da maior colónia deste tipo de morcegos existente no país.
Notícia completa do Diário Digital aqui.

A correcção da Visão

Interrompo a pausa a que me obriguei, por motivo de férias, para dar conta da correcção que a Visão publicou no último número, relativamente aos lapsos da peça Férias com História (Visão 855), de que dei conta aqui e aqui. Registo igualmente, com muito agrado, o cordial e-mail que me foi enviado por Sara Belo Luís, co-autora da referida peça. Fica a correcção publicada pela revista.
CORRECÇÃO
«Ao contrário do que se disse na peça Em busca do tempo perdido (V855, Férias com História), não foi Camões, mas Vergílio Ferreira quem escreveu que «Sintra é o mais belo adeus da Europa quando enfim encontra o mar» (Sintra Património da Humanidade). O autor de Manhã Submersa inspirou-se, isso sim, em Camões para «louvar» aquela que os navegadores da época camoniana viam como «a última memória da terra.» Pelo lapso, as nossas desculpas. Por outro lado, o eléctrico de Sintra deixou recentemente de chegar à Praia das Maçãs, ficando-se pela Ribeira.»
Visão nº 857, p. 8.

2 de agosto de 2009

M. S. Lourenço (Sintra, 1936 - ib.2009)

Subamos e desçamos a avenida
Enquanto esperamos por uma outra (ou pela outra) vida.
Alexandre O'Neill
Depois de Bénard, M. S. Lourenço... E assim vai Sintra ficando mais pobre. Discreto e altivo como era, Manuel Lourenço não dava azo a grandes aproximações. Habituei-me a observá-lo de longe, quando, por vezes, o surpreendia nas suas deambulações solitárias e superlativamente pensativas pela vila. E enfim, tantas vezes nos cruzámos que o aceno de cabeça, o boa tarde, acabaram por surgir, para grande espanto e júbilo meu. Desde então, cruzando-nos por vezes, há coisa de seis, sete anos, no efémero café do Mário (na Consiglieri Pedroso), não havia ninguém mais genuinamente amável que Manuel Lourenço.
O poeta e filósofo era, pela discrição, por certa distinção aristocrática, por todo um ar contemplativo e vagamente nostálgico, o perfeito tipo do sintrense romântico, fiel ao nevoeiro e à sua velha casa, à Fonte da Pipa, onde se alojara Richard Strauss aquando da sua célebre visita a Sintra.
Da ligação de M. S. Lourenço a esta terra é bem significativo o título da sua antologia — Caminho dos Pisões — que a Assírio anuncia para breve.
Sábado, em Sintra, M. S. Lourenço subiu o último degrau do Parnaso.
Notícia do Público sobre M.S. Lourenço aqui.