19 de dezembro de 2010

Felicidade sobre carris - 1980



Foto: Lusa


“A Praia das Maçãs , a seguir, ao Banzão, é um aglomerado de vivendas leprosas empoleiradas sobre o mar furibundo, raivoso de dor de dentes e de azia, a bater em vão contra a muralha como uma porta para sempre fechada…Conhecem-se os lojistas pelas alcunhas e os veraneantes pelos roupões que ano após ano se desbotam do mesmo modo que os olhos envelhecem, e adejam de café em café, no nevoeiro perpétuo, numa leveza transida de aparições.” 


Antonio Lobo Antunes, Conhecimento do Inferno

13 de dezembro de 2010

Sintra, onde as árvores não morrem de pé




Tristes desenvolvimentos sobre a saga dos Plátanos de Colares no Rio das Maçãs. Nossa reflexão sobre os abates e "podas radicais" em Sintra aqui.





Poema das folhas secas de plátano

As folhas dos plátanos
desprendem-se e lançam-se na aventura do espaço,
e os olhos de uma pobre criatura

comovidos as seguem.
São belas as folhas dos plátanos
quando caem, nas tardes de Novembro
contra o fundo de um céu desgrenhado e sangrento.
Ondulam como os braços da preguiça
no indolente bocejo.
Sobem e descem, baloiçam-se e repousam,
traçam erres e esses, cicloides e volutas,
no espaço escrevem com o pecíolo breve,
numa caligrafia requintada, o nome que se pensa,
e seguem e regressam,
dedilhando em compassos sonolentos
a música outonal do entardecer.
São belas as folhas dos plátanos espalhadas no chão.
Eram lisas e verdes no apogeu
da sua juventude em clorofila,
mas agora, no outono de si mesmas,
o velho citoplasma, queimado e exausto pela luz do Sol,
deixou-se trespassar por afiado ácidos.
A verde clorofila, perdido o seu magnésio,
vestiu-se de burel,
de um tom que não é cor,
nem se sabe dizer que nome tenha,
a não ser o seu próprio,
folha seca de plátano.
A secura do Sol causticou-a de rugas,
um castanho mais denso acentuou-lhe os nervos,
e esta real e pobre criatura
vendo o solo coberto de folhas outonais
medita no malogro das coisas que a rodeiam:
dá-lhes o tom a ausência de magnésio;
os olhos, a beleza.

António Gedeão

8 de dezembro de 2010

Sintra na Exposição Internacional de Paris (1937)




Extraordinário painel de Fred Kradolfer e Bernardo Marques para a Sala de Turismo do Pavilhão de Portugal (Keil do Amaral).

Foto: Estúdios Mário Novais.